terça-feira, 28 de setembro de 2010

Naquela quarta feira de vento, vinte e dois de setembro, ele pensava, pensava, pensava e pensava mais um pouco até não ter mais o que pensar pois ele queria acabar de vez com aqueles pensamentos que quando não são pensados logo, logo pesam no peito e não há coisa pior do que o peito cheio de pensamentos pesados, pensou ele. Enquanto tudo permanecia, os olhos de circunflexos do monstro da parede, a porta que engorda toda vez que o tempo esfria, o homem sentado no ali, ele resolveu não permanecer permanecido.
Ele pedalou, pedalou e pedalou até se perder no azul da noite. E dentre muitos desejos que pedalavam pelo seu corpo ele resolveu o desejo de barriga pois quando o desejo é de barriga é desejo urgente que nem desejo de coração se não resolvido sai comendo tudo por dentro. Foi então que ele percebeu que seu coração estava na barriga. Ele logo resolveu em resolver os desejos que precisam ser resolvidos logo. Então ele alimentou seu coraçãobarriga.
A chuva que chovia sempre quando precisa dar avisos molhados choveu e avisou que nada mudara até ali. 
Nem os olhos de circunflexos do monstro da parede, nem a porta que engorda toda vez que o tempo esfria, nem o homem sentado no ali, nem mesmo o peito cheio de pensamentos pesados, nem aquele coraçãobarriga, dentre todos os molhados ninguém sabia o que fazer.

3 comentários:

  1. Senti saudade dos seus textos, do seu coraçãobarriga.
    Mas se a chuva sempre avisa deixa chover mais, deixa corroer mais, deixa tudo ser mais...
    ou não.

    ResponderExcluir
  2. "...pois quando o desejo é de barriga é desejo urgente que nem desejo de coração se não resolvido sai comendo tudo por dentro." será que esse desejo foi saciado? se nao foi espere o tempo que tudo cura, vai doer um pouquinho mas passa rapidinho! bjo no coraçao!

    ResponderExcluir
  3. vamos na bubuia?
    estava com saudades de lê você

    ResponderExcluir