sábado, 8 de março de 2008

à mulher que me construiu

senti tanta saudades do quarto azul,
da rede quadriculada já desbotada,
da força de vontade contagiante,
do vestido amarelo com cheiro de lavanda,
até mesmo de ser obrigado a rezar o terço
todas as tardes.
de escutar sobre os seus amores decrépitos
e de inaugurar seus desejos.
do pé de sapoti que após a sua partida
não deu mais frutos.
e sempre lembro da música que ela cantava
para eu dormir.
mas a cada dia que passa, fica mais difícil lembrar...
o tempo tudo apaga

...

?

2 comentários:

  1. Um tanto triste... belas palavras... é só o que tenho a dizer. Tenho medo de sentir isso algum dia.

    Lembrou-me de "Minha História", do Chico Buarque.

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  2. Nunca gostei desse dito!

    Sou apaixonada pelas coisas eternas e a mulher que nos constrói é uma dessas "apaixonantes coisas que são eternas"

    O tempo não apaga!! Não mesmo!!

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